Avatar, inovação e novas tecnologias
Inovar não significa recusar nossas conexões com os ancestrais, com as tradições que nos aperfeiçoam como humanos e profissionais. Impor fazer o novo por si não transforma grupos em equipes produtivas e criadoras. Facilitadores são auxiliares nesses processos.
Indaguei a um gerente, numa reunião de trabalho, se tinha visto o filme Avatar. Respondeu que não, mas que sua esposa e filha o assistiram. Ao seu lado, perguntei o mesmo à sua equipe com duas mulheres: sem exceção, elas tinham assistido ao filme duas vezes nos cinemas e relataram a emoção que sentiram. Não vacilei em recomendar ao gerente que o visse o quanto antes, se quisesse entender melhor o universo humano com o qual estava vivendo na sua vida pessoal e profissional.
As mídias veicularam muitas opiniões sobre este grande sucesso das bilheterias do cinema dos últimos tempos. Principais destaques são dados aos efeitos especiais, às novas tecnologias de 3D e às propostas de inovações futuristas dos armamentos e da promoção da vida bioquímica ligada ao avanço da informática: desenvolvendo o próprio avatar.
O enredo levanta, contudo, questionamentos sutis ao comportamento da humanidade. No filme, o povo que domina uma conexão essencial com a natureza e com a espiritualidade, domina, por sua vez, conhecimentos sobre energias e materiais que a ciência convencional ainda estaria longe de desvendar. Talvez, devido a esta forma de conhecimento estar muito presa ao seu modo de ver a objetividade e o método, além de como julga o que é tradicional e arcaico.
Com um pouco do Brasil colônia que ainda carregamos dentro de nós, cultivamos um preconceito de que substituir as fachadas velhas por mais modernas e recusar qualquer apelo ao tradicional é que estaremos inovando. “Indo ao primeiro mundo”, como se diz muito por aí. O fato de a Europa, o Japão e outros países asiáticos serem considerados de ponta na criação de inovações não é sinônimo de que suas sociedades recusem seus conhecimentos ancestrais, suas tradições e seus saberes essenciais.
A inovação sem valores humanos essenciais que a sustente e sem uma conexão com o respeito à natureza e aos serviços ambientais que nos presta é uma inovação sem futuro. A energia feminina que coloca nosso olhar bem lá na frente é fonte para inovação com sustentabilidade, como nos provoca o filme Avatar. Que tal nossas equipes de criação aprenderem a desenvolver olhares diversos para perceberem melhor a funcionalidade, os alcances e os impactos do que estão criando?
Marcos Ortiz
marcosortiz@facilitadordegrupos.com.br
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